terça-feira, 23 de maio de 2017

Resenha: Apologia de Sócrates

Quando você começa as aulas em uma nova escola, fica aquela expectativa de conhecer novas pessoas, se os professores serão legais ou não, uma coisa eu posso dizer, meu professor de filosofia não é legal, é maravilhoso, como prova disso, digo que ele sugeriu que lêssemos esse livro, eu, que nunca tinha lido nada de nenhum filósofo na minha vida, amei a leitura de Apologia de Sócrates, deixarei vocês com a resenha.

Nome: Apologia de Sócrates
Autor: Platão
Páginas: 144
Formato: Físico
Editora: L&PM
Ano: 2008
Avaliação Geral: 5/5


Sinopse

O julgamento de Sócrates (469-399 a.C.) foi um dos fatos históricos mais importantes da Grécia Antiga e até hoje inspira escritores, artistas e filósofos. Em 399 a.C., Atenas estava se recompondo após a derrota para Esparta na Guerra do Peloponeso, tentando consolidar o ainda frágil regime democrático. O posicionamento crítico de Sócrates pareceu uma afronta aos costumes da cidade e ele foi incriminado, julgado e condenado à morte por envenenamento sob as acusações de não cultuar os deuses da cidade, tentar introduzir novas divindades e corromper a juventude com suas idéias.

As acusações não intimidaram o pensador, que decidiu conduzir a própria defesa, dando origem ao texto: Apologia de Sócrates. É uma obra que parte da discussão filosófica, mas assume ramificações religiosas, políticas e éticas, mostrando por que Sócrates passou para a História como fundador da tradição filosófica ocidental.


Quem nos apresenta Sócrates é Platão (427-347 a.C.), um dos seus mais dedicados discípulos, que revela o mestre à sua maneira, retratando o cidadão que os atenienses encontravam pelas ruas – um homem íntegro e coerente, cuja missão de vida era a busca do conhecimento e de sua aplicação. Ao mesmo tempo que preserva o legado do sábio, Platão apresenta as linhas gerais do seu próprio pensamento sobre teologia, ética, teoria política, bem como sua visão sobre a vida após a morte e o dualismo corpo/alma.

Resenha

A primeira coisa a se ter em mente quando lê algo filosófico é ter a consciência aberta ao pensamento, não existe filosofia sem reflexão, foi isso que eu percebi assim que comecei a ler este livro, Apologia de Sócrates, apesar de ter sido escrito por Platão, nos mostra o julgamento de Sócrates, a beleza dessa obra é que ela não é fictícia, é uma narração do discurso do filósofo.

Para quem nunca estudou, ou nunca ouviu falar de Sócrates, ele foi praticamente o pai da filosofia, e sua sabedoria era enorme, apesar dele dizer que não era sábio, a história parte do julgamento, e eis a acusação: "Sócrates comete crime e perde a sua obra, investigando as coisas terrenas e as celestes, e tornando mais forte a razão mais débil, e ensinando isso aos outros." Para resumir em palavras simples, ele estava ensinando os jovens da época a pensar.

"A virtude não nasce da riqueza, mas da virtude vem, aos homens, as riquezas e todos os outros bens, tanto públicos como privados."

O livro é dividido em três partes, a defesa, a condenação e a despedida, na primeira parte Sócrates se defende da acusação, e ouso dizer, ele faz isso com maestria, por diversas vezes me peguei parando a leitura para pensar no que havia acabado de ler, e é isso exatamente o que ele queria, fazer as pessoas pensarem, tornarem-se melhores.

Eu não posso falar muita coisa sobre o que ele diz porque acabaria falando demais, por não ser um livro de ficção, mas que retrata algo que aconteceu, eu não posso falar o que Platão queria dizer com a obra, porque a Apologia de Sócrates é nada mais nada menos do que os ensinamentos do filósofo em pleno julgamento.

"Pois que não pode acontecer que um homem melhor receba dano de um pior."

Um dos motivos para Sócrates ter sido levado a julgamento, foi que ele envergonhava os artesãos e governantes da época que se diziam sábios, mas não o eram, muitas vezes, na frente de outras pessoas, e isso lhes deixava furiosa, a parte cômica é que ele continua fazendo isso com seu acusador em pleno julgamento, como um bom e respeitado sábio, ele preferia morrer do que viver sem fazer o que realmente gostava: filosofar.

Uma das maiores lições tiradas desse livro, pela forma de como Sócrates encarou a sua condenação iminente sem se intimidar, é que não devemos temer a morte, não podemos ter medo de lutar por aquilo que defendemos só porque a sociedade nos reprimiu, pois melhor morrer em plenitude, tendo sofrido uma injustiça, do que cometer uma injustiça; e melhor seria morrer, do que viver amargurado e sem lutar por nossos objetivos.

"O temer a morte não é outra coisa que parecer ter sabedoria, não tendo."

A escrita, obviamente, é bem diferente da que estamos acostumados, então eu, já que foi a primeira vez que li um livro assim, precisei de mais um pouco de atenção para me adaptar, mas depois a leitura fluiu normalmente, ele requer um pouco mais da atenção do leitor pelo simples fato de que é um livro complexo, apesar de ser de fácil entendimento, se você gosta de filosofia, ou se está simplesmente procurando uma obra que lhe faça pensar, essa é a dica.

Frases do Livro
  • Não estás falando bem, meu caro, se acreditas que um homem, de qualquer utilidade, por menor que seja, deve fazer caso dos riscos de viver ou morrer, e , ao contrário, só deve considerar uma coisa: quando fizer o que quer que seja, deve considerar se faz coisa justa ou injusta, se está agindo como homem virtuoso ou desonesto. (pág. 14)
  • Onde quer que alguém tenha colocado, reputando o melhor posto, ou se for ali colocado pelo comandante, tem necessidade, a meu ver, de ir firme ao encontro dos perigos, sem se importar com a morte ou com coisa alguma, a não ser com as torpezas. (pág. 15)
  • O temer a morte não é outra coisa que parecer ter sabedoria, não tendo. É de fato parecer saber o que não se sabe. Ninguém sabe, na verdade, se por acaso a morte não é o maior de todos os bens para o homem, e entretanto todos a temem, como se soubessem, com certeza, que é o maior dos males. (pág. 15)
  • E não há outro caminho: quem combate verdadeiramente pelo que é justo, se quer ser salvo por algum tempo, deve viver a vida privada, nunca meter-se nos negócios públicos. (pág. 18)
  • Achei que me convinha mais correr perigo com a lei e com o que era justo, do que, por medo do cárcere e da morte, estar convosco, vós que deliberáveis o injusto. (pág. 19)
  • Mas, ó cidadãos, talvez o difícil não seja isso: fugir da morte. Bem mais difícil é fugir da maldade, que corre mais veloz que a morte. (pág. 26)
  • Esse modo de vos livrardes não é decerto eficaz nem belo, mas belíssimo e facílimo é não contrariar os outros, mas aplicar-se a se tornar, quando se puder, melhor. (pág. 27)
  • Porque morrer é uma ou outra dessas duas coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração desse lugar para outro. (pág. 28)

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